Estudo aponta falhas em tratamento tradicional contra drogas

Um estudo inédito, que entrevistou 90 pessoas que vivem na região conhecida como Cracolândia, pela concentração de usuários de drogas, na capital paulista, mostrou que 70% delas já foram internadas pelo menos uma vez.

Por Regional 24 Horas em 25/10/2024 às 21:13:17
Foto: Agência Brasil - EBC

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Um estudo inédito, que entrevistou 90 pessoas que vivem na região conhecida como Cracolândia, pela concentração de usuĂĄrios de drogas, na capital paulista, mostrou que 70% delas jĂĄ foram internadas pelo menos uma vez. A equipe de pesquisadores também localizou usuĂĄrios de crack que foram internados mais de 30 vezes, o que, na avaliação dos pesquisadores, ambas as situações indicam que os especialistas que defendem o tratamento nos moldes atuais estão no caminho errado.

Os dados constam do relatório A 'Cracolândia' pelos usuĂĄrios: como as pessoas que vivem nas ruas do território percebem as polĂ­ticas pĂșblicas, divulgado nesta sexta-feira (25), pelo NĂșcleo de Estudos da Burocracia da Fundação Getulio Vargas (NEB/FGV), pelo Centro de Estudos da Metrópole da Universidade de São Paulo (CEM/USP) e pelo Grupo de Estudos (in)disciplinares do Corpo e do Território (Cóccix).

As entrevistas foram feitas em julho e agosto de 2022 e, como os autores do estudo esclarecem, ajudam a explicar muito sobre a eficĂĄcia dos tratamentos em vigor e sobre a população que vive no local, embora não abranjam uma amostra representativa de toda a Cracolândia.

A maioria dos participantes da pesquisa, mais de 80%, é de homens negros, com idade entre 30 e 49 anos. A parcela que declarou fazer uso de crack passou de 90%, enquanto a parcela restante disse consumir ĂĄlcool regularmente.

Os pesquisadores também quiseram compreender que relações interpessoais os usuĂĄrios mantĂȘm, mesmo vivendo na região, e captar sua percepção sobre o serviço de saĂșde oferecido. Uma descoberta que evidencia que a forma como o modelo foi pensado se distancia do que ocorre na prĂĄtica é o fato de que muitos entrevistados veem a internação como um local de passagem, que proporciona descanso e recuperação fĂ­sica, mas não significa uma solução para o uso de drogas, ou seja, não cumpre sua finalidade original.

A maioria (69%) dorme nas ruas e quase metade (40%) disse que estĂĄ na região por vontade própria. De acordo com os pesquisadores, essa parcela tem a Cracolândia como sua casa ou permanece na ĂĄrea por se sentir bem nela.

A publicação ressalta que metade dos participantes segue em contato com a famĂ­lia. Outro dado importante é o de que mais de dois terços realizam atividades produtivas regularmente, como reciclagem e venda de objetos.

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